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Como os EUA acumulam bilhões em dívida diariamente.
Por Daniel Ripoll.
A dívida do governo dos EUA está crescendo em um ritmo alarmante. De acordo com o site watcherguru.com, a dívida aumentou em US$ 1,2 bilhão por hora nos últimos 19 dias (out/23).
Segundo o Bank of America, a dívida continuará subindo a um ritmo de US$ 5,2 bilhões por dia na próxima década. Isso representa um acréscimo de US$ 19 trilhões em dívida adicional até 2033, além dos US$ 36 trilhões que já temos atualmente.
Se a demanda por títulos do governo (os chamados "treasuries") estivesse alta, poderia-se argumentar que é possível continuar adiando os problemas indefinidamente. Na prática, isso será tentado. Mas a realidade é que o "jogo acabou". Todo o sistema já entrou em colapso em 2008. A política de taxa de juros zero, mantida até 2022, foi uma forma de reduzir os impactos e mascarar o fato de que o sistema financeiro está insolvente há anos.
Globalmente, todos os países juntos possuem uma relação dívida/PIB de 350%. Existem centenas de trilhões de dólares em dívidas "nos livros", além de vários quatrilhões em dívidas não registradas (principalmente derivativos). Os dólares necessários para pagar essa dívida não existem, porque o sistema financeiro atual permite uma expansão quase ilimitada do crédito, com pouca ou nenhuma reserva para respaldar a emissão dessa dívida.
Nos EUA, a dívida deve ultrapassar US$ 52 trilhões até 2033, sem contar os impactos de uma possível Terceira Guerra Mundial, que já pode ter começado. É provável que o valor real da dívida seja ainda maior.
Os maiores compradores de dívida dos EUA, China e Japão, pararam de adquirir novos títulos. Então, quem comprará os novos títulos que o governo americano precisa emitir para se financiar e pagar os juros da dívida?
A resposta é o Federal Reserve, que não é "federal" nem possui "reservas". O banco central atua como comprador de última instância. Quando os títulos são lançados no mercado e não há compradores suficientes, o Fed intervém, imprimindo dinheiro do nada para adquiri-los. Esse dinheiro entra na economia (após passar pelas mãos dos mais privilegiados) e aumenta os preços de praticamente tudo.
O que vimos até agora é apenas o começo da inflação. Estamos entrando em uma fase de aceleração, onde o crescimento da dívida dos EUA torna-se exponencial. É por isso que chamam isso de "espiral da dívida".
O banco central dos EUA aumentou as taxas de juros para conter a inflação. Taxas altas significam menor arrecadação tributária, pois pessoas e empresas têm menos acesso a crédito, os empréstimos existentes se tornam mais caros, e as ações caem, reduzindo os ganhos de capital tributáveis. Além disso, a economia desacelera. Esse cenário, entretanto, aumenta o custo anual do serviço da dívida do governo americano de US$ 330 bilhões para US$ 750 bilhões, um valor maior do que os gastos militares. Esse custo continuará crescendo, especialmente porque mais de um terço dessa dívida será refinanciado em breve nas novas taxas de juros vigentes.
Com o custo da dívida disparando e a arrecadação tributária caindo, o déficit se amplia. É assim que chegamos a um gasto deficitário de US$ 5,2 bilhões por dia na próxima década, em uma estimativa conservadora. Basta acumular e esperar que os eleitores não percebam! A ironia é que tentar conter a inflação acabará gerando ainda mais inflação no futuro.
O dólar americano perderá valor rapidamente, à medida que o banco central continuar imprimindo dinheiro em ritmo acelerado para sustentar o governo. O excesso de dólares tornará sua moeda menos valiosa em relação a bens, serviços e ativos escassos.
Não seria surpresa se o governo impusesse controles de capital, impedindo a saída de dinheiro do sistema atual. Um esquema Ponzi não funciona se as pessoas tentarem retirar seus fundos. Eles querem mantê-lo preso no sistema para usá-lo como liquidez de saída.
Não seja enganado.
Opte por sair.
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As informações estão corretas, o problema é a conclusão. Não acredito que o governo americano fará controle de capital, pq hoje, existem mais dólares físicos fora dos EUA do que dentro, fazer controle de capital seria dar um tiro no próprio pé, e uma vez que essa bolha estourar, por mais que o problema venha dos EUA, não são só eles que estão super hiper alavancados e sem lastro para sustentar essa alavancagem, Suíça e Japão, por exemplo, estão em situações bem piores. E num possível “crash” global, eu acredito que a demanda será para o dólar, como tem sido ao longo da história. E hoje, já estamos vivendo um período de hiperinflação real, o aumento da base monetária em todos os países do mundo na pandemia, foi o maior da história, então a tendência é acontecer o que aconteceu em 1929, as pessoas vão ver os juros nominal positivo, mas os valores dos seus bens e ativos vão cair, levando a destruição financeira para os alavancado e quem estiver em moeda ruim.